Mariana Félix
Toda garota adolescente já passou por uma (dês)ilusão amorosa,
posso garantir a você, caro(a) leitor(a).
Quando a gente é criança, sempre ouve varias historias, sem
querer, ou querendo. Pois, eu tive a sorte de ter uma irmã que é mais velha do
que eu 6 anos, então sempre a ouvia desabafar com as amigas sobre os garotos
que ela paquerava na escola, as vezes a via chorar, chegava a soluçar, me dava
uma dó... Só não entendia o porque. Sempre soube que esse tal de amor era uma
coisa linda, que fazia as pessoas felizes, que ultrapassava qualquer barreira,
e que no fim, o amor verdadeiro sempre vencia. Afinal era isso que os contos de
fada que eu lia retratavam. Tinham as pessoas más que faziam de tudo pra
separar o casal, pra destruir o amor que uma pessoa sentia pela outra, mas o
amor de ambos era muito maior. Maior que qualquer feitiço que uma bruxa má
jogasse.
Mas na vida real é diferente. Não vai aparecer um príncipe
encantado do nada, montado em um cavalo branco pra você. Perdoe-me, mas essa é
a pura realidade.
Como eu havia dito, quando crianças, criamos uma imagem sobre
amor, que, na realidade não existe.
Um dia, quando eu tinha 10 anos, e a minha irmã Pietra 16, passei
na entrada do quarto dela, e a ouvi chorando. Chorando MUITO. Não entendi o
porque. Olhei e vi que ela estava com o rosto enterrado na almofada, aí bati na
porta. Ela fez um barulho estranho, tipo “hum”, e mexeu a mão, fazendo sinal de
negação, como se fosse “não entre aqui, me deixa sozinha”. Eu, que desde
pequena sou teimosa, ignorei o gesto dela, e entrei. Ela logo se levantou e
sentou na cama, ainda com a almofada no rosto.
– Pia, o que você tem? – ela retirou a almofada do rosto, e secou
as lagrimas que escorriam – Ta dodói?
– Estou Tina – respirou fundo, e me olhou nos olhos – nada que
você possa ajudar.
Ela estava tão triste, que isso era perceptível pelo seu tom de
voz. Eu estava sentindo uma pena da minha irmã, tive uma vontade enorme de
abraçá-la, e o fiz.
Ficamos alguns minutos assim, ate que eu não me contive, e
perguntei o porque de tanta tristeza.
– Quero saber qual o motivo de você estar assim. – ainda estávamos
abraçadas, mas quando disse isso, ela se desvencilhou de mim – Não gosto de te
ver triste assim.
– Eu não quero falar sobre isso. Você não vai entender. – Fez uma
pausa antes de continuar, e engoliu em seco – Ainda é muito nova. Tem sorte.
Ela parou de falar, com um olhar perdido, parecendo pensar em
algo, que a fez voltar a chorar.
Deitou com a cabeça no meu colo, parecendo que a criança ali era
ela, não eu.
De repente ela começou a balbuciar algumas palavras como: idiota,
canalha, burro, ridículo. Foi aí então que eu entendi. Ela estava se referindo
ao Gustavo, o namorado dela.
– Foi ele Tina! Ele me traiu com aquela vaca da Beatriz! Filho da
mãe – ela estava com muita raiva – Ele vai me pagar por isso!
Apetei os lábios, sem saber o que dizer, afinal eu não podia falar nada, tinha apenas 10 anos naquela época.
A partir daí, criei uma certa resistência quando o assunto é relacionamento. Coisa que muita gente quer ter, mas que eu corro. Comecei a perceber o quão ridículo era o amor.
Apetei os lábios, sem saber o que dizer, afinal eu não podia falar nada, tinha apenas 10 anos naquela época.
A partir daí, criei uma certa resistência quando o assunto é relacionamento. Coisa que muita gente quer ter, mas que eu corro. Comecei a perceber o quão ridículo era o amor.
Hoje, com 18 anos, posso dizer que já vivi o bastante pra afirmar, com
toda certeza isso.
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